 ________________________________________________________________ Embalagens plásticas são vantajosas para o meio ambiente, a economia e o consumidor, diz Cetea
As embalagens plásticas são corretas do ponto de vista da preservação ambiental e trazem uma série de vantagens para a economia do país e o consumidor final. Estas são algumas das principais conclusões do Parecer Técnico sobre Embalagens Plásticas do CETEA (Centro de Tecnologia de Embalagem), realizado para a Plastivida.
Tanto o Parecer como o resumo de suas conclusões acabam de ser inseridos no site da Plastivida. Para acessá-lo, visite www.plastivida.org.br e clique em Estudos Técnicos.
Os principais pontos do estudo são os seguintes:
A embalagem é fundamental para a conservação dos alimentos, ainda mais num país de condições continentais como o Brasil.
A energia usada para produzir alimentos é muito maior do que a utilizada para produzir embalagens. Portanto, quanto melhor for a conservação dos alimentos e menor for a sua perda, mais estaremos evitando o desperdício de tudo o que a sociedade e o meio ambiente investiram para produzi-los: energia, trabalho, recursos naturais e financeiros etc.
A utilização de resinas plásticas petroquímicas para a fabricação de embalagens proporciona barreira a gases, óleos, vapor de água e aromas, associada a bom desempenho mecânico, resistência, fechamento hermético e custo compatível.
A embalagem plástica protege o produto na distribuição e na estocagem, aumenta sua vida útil, conserva sua qualidade por mais tempo, reduz perdas, garante segurança alimentar e impede contaminação e doenças.
A embalagem plástica evita fungos em grãos, farinhas, bolos e sopas desidratadas, mantém inalterada a textura de biscoitos e retarda a deterioração microbiológica das salsichas.
A embalagem longa-vida protege o leite da recontaminação e permite sua estocagem em temperatura ambiente.
As garrafas plásticas impedem contaminação da água e refrigerantes, evitam riscos no manuseio por crianças, mantêm a carbonatação e resistem à elevada pressão interna.
Iogurtes e produtos lácteos acondicionados em embalagens plásticas não sofrem contaminação e não ressecam.
Agrotóxicos, raticidas, inseticidas, soda cáustica e produtos assemelhados não oferecem perigo aos consumidores e ao meio-ambiente quando se encontram nas embalagens plásticas.
Mantidos em embalagens plásticas, óleos comestíveis são protegidos da oxidação e mantêm seu odor e sabor; e o café torrado e moído estende sua vida útil de uma semana para até um ano.
Sacos plásticos de lixo evitam proliferação de insetos e roedores, mau cheiro e doenças, aumentando a segurança dos catadores de resíduos.
Produtos hospitalares esterilizados como soro, sangue e alimentação parenteral são protegidos de recontaminação pelas bolsas plásticas.
Alimentos esterilizados, como conservas e doces em calda, também são protegidos pelas embalagens plásticas.
A embalagem plástica protege o papel de xerox contra a umidade, uma infinidade de produtos contra sujeira, insetos e roedores, e evita riscos em CDs e DVDs.
Após o uso, as embalagens plásticas podem ser recicladas. Com isso, os aterros sanitários recebem menos resíduos e prolongam sua vida útil.
As embalagens plásticas podem ser reprocessadas mais de uma vez, o que poupa energia, recursos naturais e evita desperdício no descarte em aterros sanitários e lixões.
Graças ao seu potencial energético, as embalagens plásticas também podem ser utilizadas para substituir outra fonte de energia.
Ao reciclar as embalagens plásticas, evitam-se emissões de gases para a atmosfera e reduzem-se os consumos relativos aos processos de extração e beneficiamento de recursos naturais. A intensidade dessa redução é proporcional à quantidade de material reciclado e depende do ponto do processo em que pode vir a ser utilizado no ciclo de vida da embalagem.
Não basta o material das embalagens plásticas ser reciclável. Ele deve ser preferencialmente reciclado na região local de comercialização do produto acondicionado, onde o resíduo da embalagem é gerado, evitando-se assim movimentações desnecessárias. Fonte: Plastivida ______________________________________________________________
Setor do plástico caminha para sustentabilidade
Francisco de Assis Esmeraldo
Hoje é impossível pensar a vida humana no planeta sem os plásticos. Desde as embalagens que conservam os alimentos por mais tempo até os materiais hospitalares descartáveis, que contribuem para evitar a propagação de doenças, são incontáveis os benefícios que o plástico trouxe e continua trazendo à humanidade. Com os plásticos, tudo ficou mais barato, mais fácil para transportar e mais prático de armazenar. Com eles, a vida ficou mais fácil.
É certo, no entanto, que algo precisa ser feito para evitar que o plástico ¿ assim como outros produtos ¿ polua o meio ambiente. Para a indústria, mudar essa situação significa caminhar na direção da sustentabilidade, ou seja, praticar os chamados 3R¿s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
Consumo responsável - Pautada por esse tripé, a cadeia produtiva dos plásticos vem reduzindo o consumo excessivo, estimulando a reutilização e promovendo a reciclagem mecânica e a energética (solução esta adotada por vários países para resolver o problema do lixo nas cidades).
Uma das iniciativas nesse sentido é o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas. Lançado em maio passado numa parceria entre entidades da indústria do plástico, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Associação Paulista de Supermercados, ele prevê a substituição das atuais sacolinhas distribuídas pelos supermercados por outras mais resistentes, capazes de diminuir o seu consumo em cerca de 30% no período de 12 meses a contar da data de implementação do programa.
Preocupação - O projeto piloto foi testado em supermercados da Grande São Paulo durante o mês de junho. O resultado foi surpreendente. Trinta dias depois da sua implantação, o consumo das sacolas plásticas nos pontos de venda dos supermercados que aderiram ao programa caiu 12%. Em 30 dias, 40% da meta anual foi atingida!
A indústria do plástico partilha da preocupação de toda a sociedade com o meio ambiente e acredita na força da educação para incentivar as boas práticas, razão pela qual o programa contempla, além da produção e confecção de sacolas mais resistentes, que dispensam a sobreposição (uso em duplicidade) e permitem também o uso da sua capacidade total (atualmente só utilizam a metade), ações para conscientizar o consumidor a evitar o desperdício de embalagens.
Um outro aspecto a se considerar seriamente se refere ao plástico proveniente da coleta seletiva, que é matéria-prima para a produção de outros produtos plásticos. É a chamada reciclagem mecânica, que permite esse reaproveitamento. No Brasil, o processo cresce à ordem de 12% ao ano.
O material que por qualquer razão não pode ser destinado à reciclagem mecânica também tem como ser reaproveitado, uma vez que os plásticos têm o mesmo conteúdo energético do óleo diesel. O Brasil já dispõe da tecnologia para o tratamento térmico de lixo que soluciona esse problema. É a chamada reciclagem energética, considerada uma das soluções para a necessidade de substituir os combustíveis fósseis por fontes alternativas de energia.
Geração de energia - O modelo, adotado largamente em países como EUA, China, Japão, Itália, França e Suíça, entre outros ¿ transforma lixo urbano em energia elétrica e térmica usando como combustível todo tipo de plástico (sacolinhas inclusive) que, por qualquer razão, não possa ser destinado à reciclagem mecânica. O processo permitiu à Alemanha, por exemplo, abolir os aterros sanitários do país.
Atualmente cerca de 150 milhões de toneladas/ano de lixo urbano são destinadas a mais de 750 instalações para usinas de geração de energia elétrica ou térmica espalhadas por todo o mundo, todas perfeitamente adequadas às mais rígidas normas ambientais. Só o Japão possui 190 unidades.
Plástico não é lixo. Ainda assim, a agressão provocada pelo descarte indiscriminado de resíduos plásticos no meio ambiente prossegue. A indústria está empenhada em tornar a reciclagem economicamente atrativa e em promover a educação ambiental em todo o País. Universalizar a coleta seletiva e penalizar os que descartam resíduos no meio ambiente, no entanto, ainda são desafios que se impõem a todos os que se preocupam com o futuro desta e das próximas gerações.
Francisco de Assis Esmeraldo, 67 anos, é engenheiro químico, presidente da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos e membro dos conselhos ambientais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro e da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul.
Degradação difícil Estudo revela que plásticos oxibiodegradáveis se decompõem na natureza como esperado
Yuri Vasconcelos
Os consumidores mais atentos já devem ter notado que certas sacolas plásticas, dessas utilizadas para embalar produtos comprados em supermercados, drogarias e lojas as mais diversas, trazem a informação de que são confeccionadas com plástico oxibiodegradável. Esse tipo de plástico começou a ser produzido no final dos anos 1980 e, segundo seus fabricantes, são ambientalmente corretos porque se decompõem rapidamente na natureza. Com isso minimizariam uma série de riscos ambientais decorrentes do descarte desses produtos, como a impermeabilização do solo e a contaminação de lençóis freáticos. Agora uma pesquisa concluída recentemente por um pesquisador brasileiro mostra que não é bem assim. O engenheiro de materiais Guilherme José MacedoFechine, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, realizou uma bateria de testes com um tipo de plástico oxibiodegradável vendido no mercado nacional e constatou que, apesar de ele se fragmentar e virar pó, não é consumido por fungos, bactérias, protozoários e outros microorganismos – condição necessária para ser considerado biodegradável e desaparecer do solo ou da água. De acordo com o pesquisador, que não quer falar os nomes comerciais dos produtos porque as empresas não foram consultadas, não é de hoje que a biodegradabilidade dos polímeros oxibiodegráveis é considerada um assunto polêmico na comunidade científica internacional. Uma corrente de estudiosos duvida se eles são, de fato, biodegradáveis. No início do ano, o governador José Serra vetou um projeto de lei da Assembléia Legislativa paulista que tornava obrigatório o uso de sacolas plásticas com o aditivo oxibiodegradável porque havia dúvidas sobre o real benefício ao ambiente. “Meu estudo comprovou que não são biodegradáveis”, afirma Fechine, que acaba de retornar da Bélgica, onde participou de um congresso internacional sobre modificação e degradação de polímeros, o Modest 2008 na sigla em inglês. Para entender a controvérsia sobre os polímeros oxibiodegradáveis, é importante, primeiro, compreender como ocorre o processo de biodegradação desses plásticos e, em seguida, saber como eles são produzidos. A oxibiodegradação acontece em dois estágios. No início o plástico é convertido, pela ação de oxigênio, temperatura ou radiação ultravioleta em fragmentos moleculares menores. Em seguida esses fragmentos se biodegradam, o que significa que são convertidos em dióxido de carbono, água e biomassa por microorganismos decompositores. Para fomentar tal característica, os fabricantes misturam um aditivo pró-oxidante a polímeros convencionais, como polipropileno, polietileno ou outros. Esses polímeros são os mais usados para confecção de sacos e outros produtos plásticos. O aditivo pró-oxidante acaba por tornar o polímero supostamente biodegradável. Quando descartado em aterros ou lixões, o aditivo quebraria as longas cadeias moleculares que formam os polímeros, conferindo-lhe as características necessárias para ser consumido pelos microorganismos presentes no solo. “Segundo meu estudo, a única diferença dos polímeros oxibiodegradáveis é que o tempo de fragmentação é muito mais rápido do que o dos polímeros convencionais”, afirma Fechine. “As empresas que comercializam esse tipo de aditivo pró-oxidante deveriam alertar que apenas sua presença não tornará o plástico biodegradável. Para que isso ocorra, o polímero precisaria passar por uma forte degradação prévia, causada por radiação ultravioleta ou temperatura, por exemplo, e ser descartado em solo apropriado, com pH, umidade, temperatura e presença de microorganismos que permitissem a ocorrência da biodegradação. ” Nem todos concordam com as limitações do aditivo. “Não conheço o trabalho, não sei se foi feito com o aditivo que represento, nem sei que metodologia o pesquisador utilizou. Mas posso garantir que testes conduzidos pela Ecosigma, empresa com sede em Campinas especializada em compostagem e gestão de resíduos, e com participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Instituto Agronômico de Campinas (IAC), demonstraram que os plásticos oxibiodegradáveis fabricados com o aditivo d2w, que representamos no Brasil, são, de fato, biodegradáveis, compostáveis e não ecotóxicos para plantas superiores, minhocas e microorganismos metanogênicos [que produzem metano]”, afirma Eduardo van Roost, diretor-superintendente da Res Brasil, que comercializa o aditivo d2w para mais de 160 fabricantes brasileiros de embalagens plásticas. “Uma prova da eficiência, desempenho e segurança do nosso aditivo é o fato de ele estar presente em mais de 60 países”, complementa. Comparação de amostras - O experimento conduzido por Fechine, que há três anos está à frente de um projeto Jovem Pesquisador da FAPESP, realizado no Departamento de Engenharia de Materiais da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) antes de ele se tornar professor do Mackenzie, comparou a degradação de duas amostras de polipropileno, uma delas contendo o aditivo pró-oxidante e outra sem essa substância. Na primeira etapa do trabalho, as duas amostras foram previamente fotodegradadas numa câmara de envelhecimento acelerado com emissão de radiação ultravioleta. “Com isso simulamos a fotodegradação que os plásticos sofrem num aterro sanitário ou lixão em função da radiação solar que incide sobre eles”, explica o professor. As amostras foram submetidas a diferentes tempos de radiação, sendo que a mais longa exposição correspondeu a 480 horas (ou 20 dias) na câmara de envelhecimento. Ao final desse período o polímero com aditivo pró-oxidante encontrava-se em avançado estado de decomposição. “Medimos a massa molar (mede quantidade de moléculas) das duas amostras antes e depois do ensaio na câmara de envelhecimento e constatamos que o aditivo pró-oxidante realmente acelerou a fotodegradação de forma intensa, quando comparado à amostra com polímero convencional. Restava saber se, além de fragmentado, ele se tornara biodegradável”, conta o professor Fechine. As duas amostras foram, então, submetidas a testes de biodegradabilidade em um terreno previamente preparado. Foram enterradas e, de tempos em tempos, coletadas para pesagem e avaliação de perda de massa. “Depois de quase dois meses constatamos que não houve perda significativa de massa para ambas as amostras. Isso quer dizer que nenhuma das duas foi consumida pelos microorganismos do solo durante esse tempo”, diz Fechine. “Nosso experimento mostrou que o aditivo acelera a fragmentação do polímero, mas não o torna biodegradável.” Um artigo com os resultados dos ensaios já foi aceito para publicação pela revista Polymer Engineering and Science, uma das mais conceituadas na área de polímeros. Intitulado Effect of UV radiation and pro-oxidant biodegradability, o artigo foi escrito em parceria com os pesquisadores Nicole Demarquette, da Poli-USP, Derval dos Santos Rosa e Marina Rezende, da Universidade São Francisco, em Itatiba, no interior paulista, responsáveis pelos ensaios de biodegradação em solo.
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